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“DAI, POIS, A CÉSAR O QUE É DE CÉSAR, E A DEUS O QUE É DE DEUS”

Walmir Rosário

Esta célebre frase acima aparece na Bíblia Sagrada várias vezes, ditas por profetas diferentes, numa demonstração clara da separação dos poderes(?) terrenos e divinos. Esse texto é uma demonstração cabal de que a relação entre o cristianismo e a política, especialmente no que tange a à separação da Igreja e do Estado é uma realidade, principalmente no Brasil.

Mesmo assim, quando convêm, falsos profetas usam e abusam, em vão, do nome de Deus para tentar remendar coisas malfeitas no mundo terreno. Algumas vezes e em determinadas situações até conseguem, haja vista a benevolência com que essas declarações são vistas por certos setores da imprensa. E elas, as declarações, são ditas por políticos ou seus asseclas para agradar aos assessorados.

Esses dois parágrafos acima demonstram e explicam a minha indignação pelo pedido do pastor Ernesto Soares, chefe de cerimonial da Prefeitura de Itabuna, pediu uma trégua de 90 dias da imprensa e da população com o prefeito Vane do Renascer. Ainda por cima pediu que a população se una numa corrente de oração, para que Deus ilumine os passos do prefeito Vane e de sua equipe.

Ora, no livro sagrado está dito textualmente: “O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus súditos pelejariam, para não ser eu entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui.» (João 18:36). Portanto, não serão as orações – sempre bem-vindas para o nosso espírito –, mas as ações desenvolvidas pela equipe de governo que irão mudar a cara da cidade.

E essas ações deveriam – ou já foram iniciadas, não tenho certeza – ter sido feitas no início do governo, observando e separando o bom do ruim, o que deve ser pago e o que deverá ser recusado. Quais os erros, omissões e ações maléficas praticadas pela administração anterior e entregues à Justiça para que eles possam pagar malfeitos e não o Município. E tudo isso faz parte de ações praticadas no campo material e não espiritual.

E a separação da Igreja e Estado é imprescindível para que não entendem alguns “sabidos” de que orar a Deus possa ser um simples comando para que esses privilegiados não respeitem a autoridade do estado e deixem de pagar os seus impostos. Em vista disso, Paulo de Tarso mostra em Romanos 13:1, que os cristãos são obrigados a obedecer as autoridades terrenas, afirmando que elas foram introduzidas por Deus e, por isso, a desobediência a elas seria a desobediência Deus.

A oração é benéfica, volto a dizer, mas não poderá servir de biombo para esconder ou justificar as vacilações de governo “a” ou “b”. Por si só, as infelizes declarações do pastor e mestre de cerimônia é uma demonstração de diversas hesitações da equipe na condução da administração pública. Mais impróprio, ainda, é um participante do deste governo pedir à imprensa que faça “vistas grossas” e “ouvidos de mercador” e não apontem as mazelas por acaso praticadas.

Segundo o ditado: “pode-se enganar a uma pessoa por algum tempo, mas não se consegue enganar a muitos por muito tempo”. O profissional de comunicação que compactua com um conselho – se é que pode assim ser chamado – desse está sendo desonesto consigo mesmo. A crítica é sempre bem-vinda e deve ser vista como um instrumento de feedback e não como um texto pejorativo com o viés de denegrir a imagem do governo.

Mais isso é outra história e que só com a prática da democracia se aprende.

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

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