“Leno Sacramento, presente”. Mesmo abalado psicologicamente, foi o próprio ator do Bando de Teatro Olodum quem deu a mensagem – está bem fisicamente, está vivo. Mas, numa semana com notícias que iam desde o assassinato de 30 homens – a maioria negros – em apenas dois dias até um menino negro de 12 anos sendo impedido de comer em um shopping, a resposta vem com uma reflexão maior.

A frase foi postada por Leno em seu perfil no Instagram, na madrugada desta quinta-feira (14), menos de 12 horas após ele ter sido baleado em uma abordagem policial na Avenida Sete de Setembro, próximo à Casa d’Itália, na tarde dessa quarta-feira (13).

Depois, já no meio da manhã desta quinta, Leno e o cenógrafo Garley Souza, que estava com o ator no momento da abordagem, participaram de um manifesto do Bando de Teatro Olodum, no Teatro Vila Velha, que fica na mesma região.

Nem Leno, nem Garley falaram com a imprensa. O advogado dos dois, Cleifson Dias, explicou que eles foram orientados a se manifestar somente através da via jurídica. Querem preservá-los até que saibam “qual será a versão produzida” pelas forças de segurança para o que aconteceu.

A versão de Leno só deve ser completamente conhecida após o depoimento à polícia – ele e Garley devem ser ouvidos nesta sexta-feira (15).

Para o advogado, no entanto, não há dúvidas de que a situação tenha começado a partir do que chamou de “mais uma abordagem ilegal e desastrosa promovida por agentes da Secretaria da Segurança Pública”.

Racismo institucional
Ele defendeu que a atitude dos policiais configura racismo institucional, além de tentativa de homicídio. Ou seja, Leno foi baleado por ser negro. E o racismo, explica, não está apenas em uma declaração, por exemplo, como pode estar na atuação de uma instituição.

Ainda de acordo com ele, a defesa ainda não teve acesso às declarações de uma pessoa que teria sido vítima de assalto na região – chegaram a ver, mas não tiveram acesso a nenhuma cópia do depoimento.

“Vamos buscar todos os fatos necessários para uma defesa técnica. Consideramos que o princípio da preservação da vida não pode ser superado por nenhum outro princípio, nem mesmo da segurança coletiva. Não vale afirmar que, em nome da segurança, o estado promova o homicídio de pessoas”, criticou o advogado.

Correio