A tragédia da manhã de terça-feira (17) insiste em não terminar no bairro do Trobogy. Na tarde de quinta-feira (19), os corpos da duas vítimas, entre os seis atropeladas por um caminhão desgovernado, foram enterrados no cemitério Bosque da Paz, a 500 metros do local do acidente. A babá Vanessa Brito Santos, 28 anos, foi sepultada às 16h. Já o corpo do porteiro Elinaldo Gonçalves, 53, foi enterrado às 16h30.

Centenas de familiares, amigos e vizinhos das vítimas participaram da cerimônia. O pai de Vanessa, Valmir Santos, esteve no local. Bastante abalado, ele falou sobre o último contato com a filha. “Vanessa estava me esperando, porque eu ia dar carona para ela até a Paralela. Eu tinha falado com ela um pouco antes da tragédia acontecer. Se eu tivesse chegado antes, acho que também teria morrido”, lamentou.

A família de Vanessa ainda não sabe como dizer à filha dela, uma menina de 4 anos, que a mãe morreu. Segundo parentes da vítima, desde o dia da tragédia, a criança está na casa de uma tia. A garota pergunta pela mãe e pede para falar ao telefone com ela.

A amiga da babá, Tamile Brito, 24, contou que a família está em choque. “A filha dela não sabe do que aconteceu ainda e a família está vendo como vai contar”, disse. Vanessa era a filha do meio de três irmãos e estava casada há oito anos.

Após o sepultamento de Vanessa, os parentes dela se despediram dos familiares de Elinaldo, sepultado 30 minutos depois. A ex-mulher dele, a professora Marilene Silva, disse que recebeu a notícia da morte do ex-marido por uma rede social. “Eu fiquei sem acreditar quando vi que era ele. Apesar de estar separada, sempre mantive uma relação de amizade com Elinaldo, porque ele era um homem do bem, honesto e educado. Ontem, eu perdi meu chão”, disse.

Protesto
Após o enterro das vítimas, os moradores do bairro realizaram um protesto no local onde aconteceu o acidente para pedir justiça. A dona de casa Maria do Carmo disse que é comum que acidentes ocorram na região. “Eles [motoristas] passaram aqui com pressa e arrancando tudo. Dessa vez, levaram duas pessoas e deixaram várias vítimas. Queremos justiça e vamos lutar para colocar o motorista que fez isso na prisão”, disse.

Os manifestantes fecharam a Rua Mocambo com madeira e entulho. O protesto durou pouco mais de 30 minutos. Policiais militares negociaram o fim da manifestação. O protesto afetou todo o trânsito da região. De acordo com a Superintendência de Trânsito (Transalvador), o fluxo foi normalizado no início da noite.

A 10ª Delegacia Territorial (Pau da Lima) solicitou a realização de laudos que irão auxiliar na elucidação da tragédia em que um caminhão desgovernado atropelou seis pessoas e matou duas delas em um ponto de ônibus na Rua do Mocambo, no Trobogy.

De acordo com informações da assessoria da Polícia Civil, foram solicitados os laudos periciais do local – que inclui análise do veículo – e os exames cadavéricos. O Departamento de Perícia Técnica (DPT) tem o prazo mínimo de 30 dias para a conclusão das perícias.

O delegado já encerrou as oitivas com as testemunhas. De acordo com a Polícia Civil, as testemunhas do acidente e o motorista foram ouvidos pelo delegado titular da 10ª Delegacia, Antônio Fernando Soares do Carmo. O CORREIO tentou entrar em contato com ele, mas não obteve respostas até o fechamento desta matéria.

Entenda o acidente
Um caminhão desgovernado atropelou seis pessoas, por volta das 6h40 desta terça-feira (17), na Rua Mocambo, no bairro do Trobogy – uma das vítimas morreu no local e a outra morreu no Hospital do Subúrbio, cinco horas depois da tragédia. O motorista do veículo, que transportava entulhos, perdeu o controle da direção, subiu na calçada, invadiu um ponto de ônibus e só parou dentro de um posto de combustível.

De acordo com testemunhas, o caminhão trafegava pela Avenida Aliomar Baleeiro, sentido Paralela, em alta velocidade. Após entrar em uma curva, na Rua Mocambo, em frente à igreja Universal, o motorista teria perdido o controle após desviar de um coletivo. O caminhão então invadiu o ponto de ônibus em frente ao posto de combustível BR, atropelando os pedestres.

Correio