Tem início mais um episódio do caso envolvendo a família Vieira Lima e os R$ 51 milhões encontrados em um apartamento de Salvador. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e relator do caso, Luiz Edson Fachin, depois de receber as defesas dos cinco réus, determinou as datas e locais dos depoimentos das testemunhas de defesa e acusação.

De acordo com despacho publicado nesta quarta-feira (8), o doleiro Lúcio Funaro, que faz parte do rol de acusação, vai ser ouvido no dia 30 de agosto, às 10h, na Seção Judiciária do Estado de São Paulo. Outras duas testemunhas de acusação vão ser ouvidas no dia 3 de setembro, às 14h30, na sede da Seção Judiciária do Estado da Bahia.

As testemunhas de defesa começam a ser ouvidas no dia 4 de setembro, também na Bahia. Neste primeiro momento, vão prestar depoimento 11 pessoas, sendo que uma delas, por morar em Feira de Santana, pode fazer a oitiva por videoconferência. No dia 10 de setembro, prestam depoimento mais 10 testemunhas de defesa, todas elas residentes em Salvador. Outras 10 pessoas vão passar por oitiva na Seção Judiciária da Bahia no dia 11.

Os depoimentos retornam a São Paulo em 18 de setembro, quando vão ser ouvidas mais duas testemunhas apontadas nas defesas dos réus. Já no dia 24, dois servidores do Senado Federal estão intimados a comparecer ao Supremo Tribunal Federal.

Edson Fachin também intimou o ex-ministro Geddel Vieira Lima, apontado como um dos donos dos malotes de dinheiro encontrados pela Polícia Federal. No entanto, como ele está preso na Papuda, em Brasília, os advogados de defesa devem determinar se o emedebista pode ou não comparecer ao STF. Caso ele vá, será solicitada a escolta do político baiano.

Lavagem de dinheiro
O ex-ministro Geddel Vieira Lima, o irmão dele, o deputado federal Lúcio Vieira Lima, a mãe dos dois Marluce Vieira Lima, além do ex-assessor do emedebista Job Ribeiro Brandão e do empresário sócio da Cosbat, Luiz Fernando Machado da Costa Filho, respondem a ação penal no STF por associação criminosa e lavagem de dinheiro. No mesmo processo, o ex-diretor da Codesal, Gustavo Ferraz, que também era investigado, foi inocentado.

Na mesma ação, Marluce Vieira Lima pediu ao STF a quebra de sigilo da Polícia Federal em Salvador para determinar de onde partiu a denúncia anônima que levou os agentes ao apartamento onde foram encontradas as malas de dinheiro. O pedido, feito na defesa prévia entregue ao Supremo, ainda está pendente de julgamento pelo Ministro Luiz Edson Fachin.

De acordo com a denúncia apresentada ao STF pela Procuradoria Geral da República, os R$ 51 milhões têm como possíveis origens propinas da construtora Odebrecht, repasses do operador financeiro Lúcio Funaro, além de desvios de políticos do MDB.

Correio