Após condenação, operador do PSDB vira réu sob acusação de corrupção em obras

O ex-diretor da Dersa (estatal rodoviária paulista) Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, tornou-se réu no processo em que é acusado de corrupção e lavagem de dinheiro desviado de obras do Rodoanel Sul (anel viário que contorna a cidade de São Paulo), do Sistema Viário Metropolitano de São Paulo e da Estrada Parque Várzea do Tietê.

Esta é a terceira vez que o engenheiro que foi diretor da Dersa vira réu em um processo relacionado à Operação Lava Jato. O juiz Diego Paes Moreira, da 6 Vara Criminal Federal de São Paulo, recebeu a denúncia feita pela força-tarefa do Ministério Público Federal paulista nesta sexta-feira (1º) e no mesmo dia decidiu aceitá-la.

Segundo a acusação, Paulo Preto chefiou um esquema na Dersa que cobrava de 0,75% a 5% de propina das empreiteiras que trabalhavam nas obras. Os procuradores da Lava Jato calcularam que o ex-diretor da Dersa desviou R$ 27 milhões para contas de uma offshore que ele mantinha na Suíça. No total as contas acumulavam R$ 126 milhões.

Paulo Preto é acusado de participar de oito episódios de corrupção envolvendo obras viárias em São Paulo. Cinco casos no trecho sul do Rodoanel, dois no Sistema Viário e um na Estrada Parque. Se condenado, a pena poderá somar de 8 a 64 anos de prisão, segundo o Ministério Público.

Ele também é acusado de fazer treze operações para lavar o dinheiro vindo de desvios das obras viárias da Dersa. Os procuradores pediram que cada operação de lavagem de ativos seja considerada um fato criminoso e que as penas sejam somadas. Se condenado pelos 13 fatos, o ex-diretor da Dersa poderá receber uma pena de 39 a 130 anos de prisão. Caso seja condenado por todos os fatos de corrupção e lavagem de dinheiro que lhe foram imputados, o acusado poderá receber uma pena total de 194 anos de prisão.

Foi uma semana de derrotas importantes para Paulo Preto no Judiciário. Na quinta-feira ele foi condenado a 27 anos de prisão -as primeiras sete em regime fechado- acusado de fraude em licitação e formação de cartel também em obras do trecho sul do Rodoanel e do Sistema Viário. Estes casos, porém, não são os mesmos da denúncia que o tornou réu nesta sexta.

Ainda nesta sexta o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, decidiu destrancar a ação, também da Lava Jato paulista, em que o engenheiro é acusado de peculato por desviar R$ 7,7 milhões de verbas de desapropriações relacionadas a obras do Rodoanel Sul.

Em 14 de fevereiro o ministro atendeu um pedido de liminar da defesa de Paulo Preto anulando a fase final do processo e reabrindo a possibilidade de produção de provas por parte dos réus do caso. Gilmar reconsiderou o caso nesta sexta e agora o processo está pronto para ser julgado.

Paulo Preto está preso desde o último dia 19 de fevereiro por ordem da juíza Gabriela Hardt, substituta de Sergio Moro na Lava Jato paranaense. Ela atendeu a um pedido feito pelos procuradores de Curitiba, que acusam o ex-diretor da Dersa de operar com o departamento de propinas da Odebrecht.

Segundo o procurador André Lasmar, da Lava Jato paulista, a denúncia de hoje não guarda relação com o processo que levou o engenheiro para a cadeia. “É importante destacar que não existe qualquer sobreposição ou conflito dos fatos investigados na presente denúncia com as investigações em curso em Curitiba”, disse Lasmar.