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Ofensiva do STF a Janot reacende pressão por CPI da Lava Toga

O episódio narrado por Rodrigo Janot, de que planejou matar o ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), e a reação subsequente da corte, de ordenar uma busca e apreensão contra o ex-procurador-geral da República, se tornaram combustível nas redes para novas manifestações contra a cúpula do Judiciário.

Grupos de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PSL) falam até em acampar em frente ao STF na próxima semana para pressionar os ministros. Há quem fale em derrubar o Supremo. A militância vê abusos e conivência com a corrupção na atuação dos ministros.

O plano relatado por Janot deu força, no âmbito do Supremo, ao inquérito instalado pelo presidente da corte, Dias Toffoli, para apurar a divulgação de informações falsas e ameaças a membros do tribunal. A investigação, conduzida pelo ministro Alexandre de Moraes, teve a oposição, na época, da então procuradora-geral da República, Raquel Dodge, que viu arbitrariedade na ação.

Foi por meio desse inquérito que Moraes determinou a busca e apreensão na casa de Janot e determinou que ele não se aproximasse de ministros do Supremo. Para o senador que propôs a CPI da Lava Toga, Alessandro Vieira (Cidadania-SE), esse foi mais um abuso ilegal da corte.

“Mesmo que você imagine como muito grave Janot narrar ter pensado em matar um ministro do Supremo, não há absolutamente nenhum crime. Então teve uma escalada a mais que foi aproveitar esse fato, que não ter repercussão jurídica, mas politicamente está sendo manobrado para que Gilmar Mendes seja colocado como vítima, o que obviamente ele não é”, diz o senador.

A articulação pela CPI da Lava Toga chegou a sofrer um revés no início de setembro com o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) trabalhando contra sua instalação. Como consequência, parte dos apoiadores de Bolsonaro, seguindo orientação de Olavo de Carvalho, passou a rechaçar a ideia da CPI, argumentando que mais atrito entre os Poderes poderia atrapalhar o governo e a reforma da Previdência.

Os acontecimentos da última semana, porém, voltaram a colocar “STF vergonha nacional” como um dos assuntos mais comentados do Twitter. A senadora Selma Arruda (Podemos-MT) compartilhou texto dizendo que vivemos uma ditadura, em que o STF persegue seus críticos e manda prender seus opositores. “Esses são os ‘ditadores de toga’. Estou disposto a ir às últimas consequências, para termos um país livre da corrupção e da impunidade”, postou o senador Marcos do Val (Podemos-ES) no sábado (28).

Vieira já protocolou o pedido de CPI em março, mas o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), rejeitou a ideia. O senador recorreu ao plenário da Casa, mas depende que Alcolumbre paute a votação. Vieira tenta ainda protocolar um novo pedido de CPI, mas falta uma das 27 assinaturas de senadores necessárias para isso.

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